Conta inativa apaga fotos? Quanto tempo o seu acervo sobrevive sem você entrar
Conta inativa apaga fotos? Veja o prazo de inatividade de Google e Microsoft, o que a Apple oferece, o risco da conta secundária e o contato de legado.
Conta inativa apaga fotos, sim, em alguns dos maiores serviços do mundo, e a regra vale mesmo quando a empresa está saudável e ninguém deixou de pagar nada. Uma conta inativa é aquela em que ninguém entra por um período definido pela empresa; em Google e Microsoft esse período é de dois anos, e ao fim dele a conta pode ser encerrada com tudo o que estava dentro, fotos incluídas. O risco não mora na conta que você usa todo dia, mora na conta que existe só para guardar: o e-mail antigo que recebeu o backup do primeiro celular, a conta criada para o bebê, o login que só o pai sabia. Este guia mostra o prazo de cada serviço grande, o que conta como atividade, por que a conta secundária é a mais exposta e o ajuste de contato de legado que resolve boa parte do problema.
Dois assuntos vizinhos, para não misturar: o que acontece quando o plano pago vence está em o que acontece se eu parar de pagar a nuvem, e o risco de a empresa inteira fechar está em como saber se um app de fotos vai durar. Aqui a empresa está viva e a fatura em dia. O que faltou foi login.
Por que um serviço apaga uma conta que não custa nada a ele?
Custa. Conta parada ocupa armazenamento, e, mais importante para as empresas, é um alvo de segurança: uma conta que ninguém abre há anos costuma ter senha antiga, nenhuma verificação em duas etapas e ninguém olhando os alertas de acesso. Quando anunciou a política atual, em maio de 2023, o Google justificou a mudança exatamente por esse argumento de segurança: segundo a análise interna citada no anúncio, contas abandonadas têm pelo menos dez vezes menos chance de ter a verificação em duas etapas ligada do que contas ativas. As exclusões começaram a partir de dezembro daquele ano.
Para a família, o efeito prático é um só: conta de acervo não pode ser conta que ninguém abre. Guardar e esquecer, que parecia a estratégia mais tranquila, é justamente a que dispara a regra.
Quanto tempo o acervo sobrevive em cada serviço?
A tabela reúne o que as páginas oficiais de cada empresa dizem hoje. Confira sempre a página antes de decidir, porque essas regras mudam.
| Serviço | Prazo sem uso | O que entra na exclusão | Exceções principais | Ajuste de legado |
|---|---|---|---|---|
| Google (Gmail, Drive, Fotos) | 2 anos | A conta inteira, incluindo o Google Fotos | Assinatura ativa (como Google One), conta de trabalho ou escola, conta que gerencia criança pelo Family Link | Gerenciador de contas inativas, até 10 pessoas |
| Microsoft (Outlook, OneDrive) | 2 anos sem entrar | A conta e o que está nela, como e-mail e OneDrive | Assinatura ativa, compra vigente, saldo na conta, conta de família com consentimento de menor ativo | Não há ajuste equivalente na política de atividade |
| Apple (iCloud) | Sem prazo público de inatividade nas páginas consultadas | Após o falecimento, a conta é apagada até 3 anos depois da aprovação do Contato de Legado | Não se aplica | Contato de Legado, com chave de acesso e certidão de óbito |
Dois detalhes da tabela merecem atenção. O primeiro é que a assinatura ativa protege a conta tanto no Google quanto na Microsoft: o acervo que mora num plano pago dificilmente cai na regra de inatividade. O segundo é que a conta de trabalho segue outra lógica, a da empresa que a administra, e costuma sumir muito antes, no desligamento. Esse caso está detalhado em fotos antigas no e-mail.
O que conta como atividade?
No Google, a página oficial da política cita ações como ler ou enviar um e-mail, usar o Google Drive, assistir a um vídeo no YouTube, compartilhar uma foto, baixar um aplicativo, usar a Pesquisa Google e usar o "Fazer login com o Google" em outro site. Na Microsoft, a política fala em entrar na conta pelo menos uma vez a cada dois anos.
A leitura prudente das duas é a mesma: entre de propósito. Não conte com o celular sincronizando em segundo plano para provar que a conta está viva, porque a lista oficial fala de ações, não de sincronização. Uma visita por ano, com login e uma ação simples, como abrir uma foto no Google Fotos e compartilhá-la com você mesma, resolve com folga.
Por que a conta secundária é o caso mais perigoso?
Porque ela reúne, ao mesmo tempo, as quatro condições que a regra de inatividade procura: ninguém entra, ninguém paga, ninguém lê os avisos e, muitas vezes, só uma pessoa sabe a senha. Os perfis mais comuns numa família:
- O e-mail antigo que recebeu o backup do primeiro celular. Você trocou de aparelho, criou conta nova, e as fotos do primeiro ano do bebê ficaram na conta velha.
- A conta criada para o bebê. Pareceu uma boa ideia na maternidade; dois anos depois ninguém lembra a senha.
- A conta da avó, aberta por um neto para ela receber fotos, que ela nunca usou de verdade.
- A conta de um dos pais que saiu de casa, depois de uma separação, com metade do acervo dentro.
A diferença entre conta principal e conta secundária não está no serviço, está no uso. A principal se defende sozinha, porque você entra nela todo dia. A secundária precisa de uma rotina, ou de uma decisão: trazer o conteúdo dela para o lugar onde o acervo principal mora. Quem ainda tem um aparelho antigo guardado deve esvaziá-lo antes, seguindo a ordem de fotos no celular antigo.
Como configurar o contato de legado e o gerenciador de conta inativa?
Esses ajustes resolvem um problema diferente, e complementar: o que acontece com o acervo quando o titular não pode mais entrar, seja por doença, por morte ou por perda definitiva do acesso.
No Google, o Gerenciador de contas inativas permite escolher quanto tempo o Google deve esperar sem uso antes de agir, e indicar até dez pessoas de confiança. Quando o período termina, essas pessoas recebem um aviso com a lista dos dados que você decidiu compartilhar e um link para baixá-los. O ajuste fica em myaccount.google.com, na área de dados e privacidade.
Na Apple, o Contato de Legado exige iOS 15.2, iPadOS 15.2 ou macOS Monterey 12.1 ou posterior, e o contato precisa ter mais de 13 anos. Ele dá acesso a fotos, mensagens, notas, arquivos e backups de dispositivos, mas não a senhas das Chaves do iCloud nem a filmes, músicas e livros comprados. Para pedir o acesso, a pessoa apresenta a chave gerada na configuração e a certidão de óbito. O acesso vale por até três anos a partir da aprovação do pedido, e depois a conta é apagada permanentemente, então quem recebe precisa baixar tudo dentro desse prazo.
Um roteiro de quinze minutos para fazer hoje:
- Liste todas as contas em que existem fotos da criança, inclusive as esquecidas.
- Entre em cada uma e faça uma ação simples, só para zerar o relógio.
- Atualize o e-mail e o telefone de recuperação de cada conta.
- Configure o Gerenciador de contas inativas na conta Google principal, com pelo menos duas pessoas.
- Configure o Contato de Legado no iPhone de quem tiver iPhone, e guarde a chave em lugar que a família encontre.
- Traga para o acervo principal o conteúdo das contas secundárias que não fazem mais sentido manter.
- Marque no calendário uma visita anual às contas que continuarem existindo.
E os planos vitalícios e as contas pagas, estão protegidos?
A assinatura ativa tira a conta da regra de inatividade no Google e na Microsoft, mas não protege de tudo. Um plano pago em nome de uma só pessoa cria outro ponto único de falha, que é o cartão e o login dela; esse arranjo está em plano de nuvem da família: quem paga. E alguns planos vitalícios têm regra própria de inatividade no contrato: os termos da Internxt, por exemplo, preveem encerrar conta vitalícia após doze meses sem atividade, como mostramos em armazenamento vitalício de fotos vale a pena.
Nenhum desses cuidados substitui ter uma segunda cópia do acervo fora da conta, e testar de vez em quando se ela abre, como ensina como testar se o backup está funcionando.
Onde o Memmora entra nisso?
Em nome da transparência: o Memmora é um serviço de acervo, então é parte interessada nesta conversa. O que ele muda é o uso. No Memmora, as fotos da criança ficam numa linha do tempo que a família inteira acompanha por convite, e um acervo que avós, tios e os dois pais abrem com frequência não vira conta esquecida, nem depende da senha de uma pessoa só. Se o acervo do seu filho hoje está espalhado em contas que ninguém abre, crie sua conta e comece trazendo para lá o que está na conta mais antiga.
O que levar deste texto
Google e Microsoft podem encerrar uma conta pessoal depois de dois anos sem uso, com fotos e arquivos dentro, e a assinatura ativa é a principal exceção nos dois. A conta mais exposta não é a que você usa, é a secundária criada só para guardar, e a defesa é uma visita anual com login e uma ação, ou trazer o conteúdo dela para o acervo principal. E o problema de quando o titular não pode mais entrar tem ajuste próprio: o Gerenciador de contas inativas do Google e o Contato de Legado da Apple levam poucos minutos e são o que separa um acervo herdado de um acervo perdido.
Fontes oficiais citadas: Google, política de contas inativas, Google, anúncio da atualização da política (maio de 2023), Google, Gerenciador de contas inativas, Microsoft, política de atividade da conta, Apple, como adicionar um Contato de Legado e Apple, pedir acesso como Contato de Legado.
Perguntas frequentes
O Google apaga as fotos de uma conta inativa?
Pode apagar. Pela política de contas inativas do Google, uma conta pessoal que não é usada por dois anos é considerada inativa e pode ser excluída com todo o conteúdo, incluindo o Google Fotos. Antes disso, o Google diz que envia vários avisos para o e-mail da conta e para o e-mail de recuperação. Contas com assinatura ativa, como o Google One, ficam fora da regra.
O que conta como atividade para a conta Google não ser considerada inativa?
A página oficial cita ações como ler ou enviar um e-mail, usar o Google Drive, assistir a um vídeo no YouTube, compartilhar uma foto, baixar um app, usar a Pesquisa Google e fazer login em outro site com a conta Google. O jeito mais seguro é entrar de propósito na conta e fazer uma dessas ações, em vez de confiar em sincronização silenciosa do celular.
A Microsoft também fecha conta por inatividade?
Fecha. A política de atividade da Microsoft pede que você entre na conta pelo menos uma vez a cada dois anos. Uma conta fechada leva junto o que estava nela, como e-mails e arquivos do OneDrive. Há exceções, como assinatura ativa, compra de produto vigente e saldo na conta, mas quem guarda fotos numa conta gratuita esquecida está exatamente no grupo exposto.
A Apple apaga o iCloud por inatividade?
Nas páginas de suporte da Apple que consultamos, não encontramos um prazo público de exclusão por inatividade como os de Google e Microsoft. O que a Apple documenta é o Contato de Legado, que permite a uma pessoa escolhida acessar fotos e arquivos depois do falecimento do titular, por até três anos a partir da aprovação do pedido. Depois desse período, a conta é apagada.
Por que a conta secundária é a mais arriscada?
Porque ela foi criada só para guardar coisa e ninguém entra nela. É o e-mail extra que recebeu o backup do celular antigo, a conta criada para o bebê ou o login que só um dos pais sabe. Sem assinatura, sem uso e sem contato de recuperação atualizado, ela reúne todas as condições para ser encerrada sem que ninguém leia os avisos.
O que é o Gerenciador de contas inativas do Google?
É um ajuste em que você decide o que acontece com a sua conta Google se ela ficar sem uso por um período que você escolhe. Dá para indicar até dez pessoas de confiança para receber um link de download dos dados que você selecionar, como as fotos. É o equivalente, do lado do Google, ao Contato de Legado da Apple, e leva poucos minutos para configurar.